Documentos que remontam a arqueologia evidenciam
o aparecimento de objetos de trabalho da atividade de fiação (fusos, rocas, cardas, urdideiras) e da atividade de tecer (teares rudimentares) e por projeção, o aparecimento dos tecidos, sendo estes o testemunho da técnica milenar da tecelagem artesanal.

A tecelagem manual no Brasil incorporou motivos e técnicas das principais etnias constituintes do nosso povo.

Na época do descobrimento, os indígenas, aqui em nossa terra, já trabalhavam o trançado ou a arte de trançar fibras vegetais de forma primitiva e criativa. O valor funcional dos trançados era expressivo para os povos nômades.

No período da colonização, muitos índios foram catequizados pelos jesuítas, a fim de incluí-los na sociedade.

Dessa forma, tornou-se grande a preocupação de Padre Manuel da Nóbrega em vestir os indígenas convertidos pela catequização. Foi necessário, então, a vinda de artesãos portugueses especializados que trouxeram todos os objetos necessários (teares horizontais, rocas, cardas e outros) ao desenvolvimento da tecelagem, além de toda a técnica.

A atividade foi favorecida pela abundante matéria-prima no Brasil. Os tecidos de algodão foram então, intensamente produzidos para vestir os índios e, também, os escravos vindos da África.

No século XVIII, havia uma grande necessidade de
concentrar a mão-de-obra nas minas de ouro e lavouras, já que as riquezas brasileiras eram enviadas à Coroa Inglesa. Além disso, havia nos acordos comerciais, a obrigatoriedade de Portugal importar os tecidos da Inglaterra.

Assim sendo, a atividade da tecelagem foi proibida
por Da. Maria I que em 1785 decretou a queima
de todos os teares.

D. João VI, em 1809 revoga, através de um alvará,
o decreto de Da. Maria I. Renasceu assim, no Brasil, as atividades do fiar e do tecer.

Apesar desta abertura para a existência de fábricas de tecidos, a fiação e a tecelagem permaneceram fixadas
no interior e na zona rural, predominantemente,
em âmbito doméstico.

Minas Gerais foi um dos Estados que mais absorveu
as técnicas da tecelagem manual, surgindo ao longo
de todo o seu território inúmeras organizações
domésticas, onde a mulher sempre teve um papel de fundamental importância.

Nos dias de hoje, a produção da tecelagem artesanal
assume organizações mais elaboradas, em verdadeiros sistemas empresariais.

um pouco de história

 

A tecelagem manual é provavelmente uma das artes mais antigas. Supõe-se que começou a se desenvolver por volta de 5000 a.C. Em todas as culturas são encontrados vestígios dessa atividade, marcando a própria história do respectivo povo.